Empresa estratégica vs sector concorrencial
Também precisamos de uma golden share do Estado na NOS? As saudades que alguns vão exibindo dos tempos da PT monopolista e de propriedade estatal é engraçada. Falam de uma empresa privada como se o país ainda se confundisse com ela. Felizmente, nisso, Portugal mudou. E assim foi, em parte, porque na OPA do Belmiro à PT nem tudo foi fracasso: no seguimento desta, a autoridade da concorrência conseguiu forçar a separação entre a rede cobre e o cabo, na altura ambas nas mãos da PT. Esse é o tipo de intervenção estatal, de carácter regulador e promotor da concorrência, que estou habitualmente disposto a defender. O que não aceito é que o Estado e o mundo político, em nome de um suposto interesse nacional, tenha particular carinho por determinada empresa a actuar num sector que se quer concorrencial, provocando uma distorção do mercado. E, também por isso, quando os indicios vão no sentido de que a dona da Cabovisão e da ONI quer comprar a Portugal Telecom, constato uma oportunidade para a autoridade da concorrência tornar a introduzir maior concorrência no sector, indo de encontro às queixas do próprio Grupo Altice.
