Implosão
A coisa mais estúpida do sector público no que à educação diz respeito é, certamente, o modo como se processa a colocação de professores a cada ano, com regrazinhas burocráticas arcaicas, muito dependente de factores quantitativos, adequadas a uma sociedade do paleolítico, que nenhum ministo atreve-se a tentar mudar. Se em quase tudo o que diz respeito à gestão dos recursos humanos o nosso Estado já é mau, na educação é péssimo. E, perante nova polémica no sector com tal processo - realço a ideia de que não estamos perante uma novidade -, mais importante do que apurar o que deve acontecer à cabeça do ministro, parece-me adequado constatar em primeiro lugar que este modelo de colocação de professores está ultrapassado; é ineficiente; não passa de uma tonteria. Também por isso, num futuro breve e numa reforma da educação que ainda está por fazer, devia ser radicalmente alterado. Termine-se com a piadola, misto de brincadeira e coisa séria: o ministro Crato não implodiu o ministério, o ministério implodiu-o a ele.
