Personæ non gratæ
Não deixa de ser irónico que dois dos ministros com mandatos mais longos da governação socrática, Luis Amado e Teixeira dos Santos, sejam ambos tidos como personæ non gratæ para os socialistas e acabem na presidência de dois dos bancos do sistema (Banif e Montepio, respectivamente). Cá está um argumento para validar a desconfiança do ex-querido líder com o sistema bancário. Mais a sério, a que se deve a inclusão de Amado e Teixeira dos Santos na lista negra dos socialistas? Deve-se a terem sido de entre os governantes socráticos os que melhor perceberam aquilo a que o contexto interno e externo nos obrigava e terem explicitado o que pensavam na praça pública, contrariando a narrativa socrática. Um deles muito tardiamente, mas, ainda assim, fê-lo. Para quem todos os dias faz de conta que a realidade muda-se com uma varinha mágica, a explicitação com realismo daquilo que são as bases em que nos devemos apoiar é motivo mais do que razoável para expulsão do grupo. É pena. Como a entrevista na SICN demonstrou, o PS tinha alguma coisa a ganhar se desse mais atenção a Amado do que aos «jovens turcos» que tem por lá: «Temos de aprender a governar em coligação».
