Porquê que a PàF pode ganhar?
Foto de Luis Barra, tirada daqui.
Existem vários motivos para explicar e antever uma possível derrota da coligação (a principal, para mim, continua a ser a colagem emocional que o eleitorado faz de Passos às medidas de austeridade adoptadas no nosso país), mas, ao contrário do que algumas pessoas insistem, também não é assim tão difícil explicar a situação inversa, caso venha a ocorrer. A coligação pode ganhar as legislativas porque:
1. a PàF é a única força política razoavelmente de direita, moderada, que se apresenta a eleições (basta fazer um teste na bússola eleitoral). Com PSD e CDS coligados, alguém de direita que queira ir votar, vota em quem se não na PàF? Branco ou nulo?
2. o PS foi evidentemente o grande responsável pela bancarrota e por muito que existam queixas em relação à governação dos últimos quatro anos, foi dai que nasceram a maior parte dos sacríficios que se seguiram, não estando essa responsabilidade varrida da memória das pessoas (aqui entra, igualmente, o efeito Sócrates nesta campanha).
3. o que sobra, excluindo o PS, são partidos anti-sistema e/ou da esquerda radical, com soluções tipo Syriza ou ainda piores que assustam a maior parte do eleitorado. Até porque em Portugal nunca entramos na situação de desespero em que entrou a Grécia (quanto maior o desespero, maior a vontade do eleitorado procurar alternativas fora da caixa).
4. o país deu de alguma forma a volta à bancarrota, tendo obtido crescimento económico nos últimos dois anos (sim, há muito que não se ouve falar em recessão, nem sequer em quedas da economia, o que evidencia que já não estamos perante mero ressalto temporário da actividade económica depois de uma queda muito abrupta). E este crescimento tem-se feito sentir na economia real, na vida das pessoas. São inúmeros os indicadores que demonstram isso mesmo.
5. a campanha da PàF parece dispor não só de mais recursos - por exemplo, mero pormenor: o enquadramento cénico de Passos e Portas tem sido quase sempre melhor do que o de Costa -, como foi, até ver, muito melhor organizada do que a do principal adversário (ter duas máquinas partidárias no terreno deve ajudar): a estratégia da coligação foi clara e a mensagem qie passa tem sido precisa, objectiva e sem desvios, enquanto o PS, entalado entre a esquerda e a direita, deixou-se enredar por um conjunto significativo de ziguezagues que nem deram para perceber muito bem qual a estratégia, nem facilitaram a divugação de uma mensagem coerente.
6. este PS de Costa, com demasiada arrogância, não só desprezou o valor da coligação, como desprezou o quanto a batalha interna para tirar o poder a Seguro lhe iria custar: parece existir maior união entre Passos e Portas do que entre Costa e algumas pessoas do seu próprio partido (ou como o poder uniu uns e separou os outros).

