Um clube diferente de todos os outros
Tem um presidente que, em discurso de inspiração chávista, usa frases como «defenderei sempre o Sporting. Mas se não me protegerem, eles dão cabo de mim» ou «há deputados que só se preocupam com o Sporting. E que tenham cuidado, porque estão a arranjar 3M de inimigos». Quem não está com o Bruninho não está a defender o clube; o clube deixou de ter adversários, passou a ter inimigos. Populismo 101. Um presidente que assume a cruzada contra a Doyen e os fundos abutres, mas depois recorre ao Caála do senhor Mosquito (desculpa-se dizendo que outros fazem o mesmo, mas o ponto nunca foi esse). Um clube apanhado numa teia de mentiras - o que faz com que qualquer informação prestada pelo clube passe a ter credibilidade zero -, entre as quais destaca-se a forma vergonhosa como tratou um ex-treinador, atirando para a comunicação social informações e acusações falsas contra o mesmo (e nem nos lembremos do papel triste que reservou a José Eduardo no ataque feito ao então treinador do clube ainda a época ia a meio). Um clube que falha contratações em cadeia quando tudo parecia estar fechado, chegando ao ponto de anunciar surpresas que viram lapso e perdendo um jogador para o rival quando até estava disposto e tinha capacidade para pagar mais do que o jogador acabou custando. Mais, cereja em cima do bolo, um presidente que acusou outros de gestão danosa e tirou-lhes o cartão de sócio, arrisca agora perder sem receber um tostão - estes comunicados são deliciosos - um jogador que em circunstâncias normais traria elevado retorno ao clube. E tem ainda o caso Doyen, que se já era uma bomba à espera de explodir, com a ausência do clube da champions ameaça atirar o barco ao fundo, dai que já comece a preparar o discurso populista para apresentar aos crentes (numa parte do discurso que merece ser reproduzida na íntegra porque, pelo elevado grau de irresponsabilidade com que se aborda o assunto, fosse eu adepto do clube e estaria preocupado): O Sporting tem toda a razão no caso Doyen. Não temos dúvidas daquilo que colocámos, mas não fazemos a mínima ideia do que vai ser a decisão. Sabemos que há muitos inocentes dentro de prisões e culpados fora delas. Se houver justiça ganhamos, se não houver podemos perder ou pouco ou tudo. A SAD recorrerá para os tribunais. Se perdermos de um lado, temos a certeza de que ganharemos do outro. Fomos a primeira direção das últimas décadas que não teve medo de tirar à SAD para dar ao clube. E se perdermos? Março de 2017, pavilhão João Rocha. Não gastámos ou deitámos fora. Vamos outra vez ganhar o nosso espaço. Se perdermos, na SAD arranjaremos solução, mas ao clube já ninguém tirará um património. Portanto esses facebooks escusam de esfregar as mãos se perdermos com a Doyen, porque aquele pavilhão, que não ia sair do buraco, está pago! Perguntam logo "pago como?". Com dinheiro. Pegámos em dinheiro e pagámos. Querem saber com que caneta foi... Foi por transferência bancária. Está pago, março de 2017. Ainda nem há decisão tomada e já ameaça com recurso a outro tribunal, fazendo aparecer dinheiro por milagre. Fuga em frente evidente. Onde é que já ouvi este discurso? Mas há mais: o presidente que, em 2013, deixou sair cá para fora a notícia de que tinha abdicado do seu salário de 5 mil euros, agora aumentou-o para 10 mil euros mensais. Tudo justificado pelo próprio: «o Sporting acha que pode ter no clube pessoas não remuneradas, que deve ser tudo amor e carinho. Se quiserem melhorar o Sporting, não peçam às pessoas para virem trabalhar de borla». Maravilhoso. Isto é tudo maravilhoso.
