Um problema de confiança
«António Costa está mais virado para fazer acordos com o PSD». Pudera, com o BE a pedir reestruturação da dívida e outras tontices tais. Não é por acaso que a nossa tradição é a de um PS minoritário na governação a precisar sempre da direita para governar. De resto, se há coisa de que António Costa não necessitaria, em caso de vitória eleitoral sem maioria absoluta, era a de acrescentar uma outra ala radical a um possível governo que já terá de contar com alguns jovens turcos. Aliás, se me permitem a brincadeira, ainda que a analogia não seja perfeita: se Tsipras na Grécia livrou-se dos mais radicais do seu partido nestas últimas eleições, a Costa também fazia falta um golpe de asa semelhante. Entre as duas caras do Partido Socialista, uma que tem sido muito representada por Centeno (ou Francisco Assis) e outra pelos jovens turcos (João Galamba, Pedro Nuno Santos, Tiago Barbosa Ribeiro, etc...), o PS já arranjava forma de abandonar o jogo duplo e deixar claro qual o caminho que prefere seguir: o da moderação ou o da radicalização. Eu aposto na moderação, mas com este PS, as coisas nunca são de fiar. E esta indefinição do PS se há coisa que não tem feito é ajudar o partido: porque remete para um problema de confiança (em que PS acreditar?). Confiança que, não por acaso, é a palavra chave em que os socialistas apostam.
